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Capítulo 06

Fumaça, ruídos e perda de força: quando o motor pede socorro

Fumaça colorida, barulho novo, consumo de óleo e perda de força são o motor avisando. Saiba ler os sinais e quando parar.

Revisado em · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • Fumaça azulada: óleo sendo queimado. Branca, densa e persistente: possível líquido de arrefecimento na combustão. Preta: excesso de combustível.
  • Batida metálica grave que aumenta com a rotação é motivo para desligar o motor e chamar socorro.
  • A correia dentada tem prazo de troca no manual. Em muitos motores, se ela romper, pistões e válvulas se chocam.
  • Diagnóstico de desgaste interno se faz com medição, como teste de compressão, não com palpite.

A cor da fumaça

Com o motor saudável e quente, a saída do escapamento quase não tem fumaça visível. Uma fumaça que aparece e continua tem um recado, e a cor ajuda a entender qual é.

CorO que pode serObservação
Azulada ou acinzentadaÓleo sendo queimado na câmara de combustão: desgaste de anéis, de guias ou retentores de válvula, ou vazamento no turbo.Costuma vir junto com o nível de óleo baixando entre as trocas.
Branca, densa e persistente, com cheiro adocicadoLíquido de arrefecimento entrando na combustão, por junta do cabeçote queimada ou cabeçote trincado.Diferente do vapor fino de manhãs frias, que some quando o motor esquenta.
PretaMistura com combustível demais: filtro de ar obstruído, bico injetor ou sensor com defeito.Em motores a diesel, também aparece com excesso de carga ou falha na injeção.

Ruídos que merecem atenção

  • Batida metálica grave, que aumenta com a rotação. Pode indicar folga nas bronzinas do virabrequim ou das bielas, muitas vezes por falta de óleo ou de pressão. Desligue o motor e chame socorro. Continuar rodando pode quebrar peças internas.
  • Tique-taque rápido na parte de cima do motor. Pode ser folga de válvulas, tucho hidráulico com defeito ou óleo baixo. Confira o nível e procure avaliação.
  • Chiado agudo ao ligar ou ao virar o volante. Geralmente é a correia de acessórios patinando, por desgaste ou falta de tensão.
  • Ruído de corrente no primeiro segundo da partida, em motores com corrente de comando. Pode indicar corrente esticada ou tensor fraco.
  • Assobio ou sopro ao acelerar. Pode ser vazamento no escapamento, na admissão ou, em motores turbo, numa mangueira de pressão.

Outros sinais de desgaste interno

  • Perda de força nas subidas ou nas retomadas, que antes não acontecia.
  • Consumo de combustível subindo sem mudança no jeito de dirigir.
  • Óleo baixando entre as trocas.
  • Motor falhando, trepidando em marcha lenta ou com dificuldade para pegar.
  • Superaquecimento que se repete mesmo depois de reparos no arrefecimento.
  • Excesso de vapor de óleo saindo pelo bocal com o motor ligado, sinal de pressão interna alta (o chamado blow-by).

Como se confirma o desgaste

Esses sinais indicam um caminho, mas não fecham um diagnóstico. Os exames mais usados são o teste de compressão, que mede a pressão que cada cilindro consegue formar, e o teste de estanqueidade, que mostra por onde o ar escapa: anéis, válvulas ou junta. Com o motor aberto, peças como cilindros, virabrequim e cabeçote são medidas com instrumentos e comparadas com as tolerâncias do fabricante.

Quando o desgaste passa do limite, o motor pode precisar de retífica: usinagem das peças dentro das medidas especificadas, com troca de anéis, bronzinas, juntas e outros itens. Só a medição diz se é o caso.

Correia dentada: o prazo que não se discute

A correia dentada sincroniza o virabrequim com o comando de válvulas. Na maioria dos motores, ela não dá sinal antes de romper.

Em muitos motores, chamados de interferentes, os pistões e as válvulas ocupam o mesmo espaço em momentos diferentes. Se a correia rompe com o motor girando, eles se chocam e entortam válvulas, podendo danificar pistões e cabeçote.

  • O prazo de troca da correia e do tensor está no plano de manutenção, em quilômetros e em tempo.
  • Se você comprou um carro usado sem comprovante da última troca, trate como vencida.
  • Vazamentos de óleo ou de líquido de arrefecimento sobre a correia reduzem a vida dela.

Fontes

  • Manuais do proprietário, planos de manutenção e especificações de tolerância dos fabricantes.